Quando se é criança, tornar-se uma celebridade faz parte do objetivo de vida de quase todos os terráqueos. Os garotos querem ser jogador de futebol com fama internacional e as garotas querem se tornar modelo, atriz, cantora ou apresentadora de TV que roda o mundo com seu talento. Com o passar do tempo, a gente descobre que a vida não é tão fácil assim, nem todos nós podemos ser celebridades porque apenas uns poucos nascem com a estrela na testa. Mas isso foi antes da chegada do universo virtual.
Já faz algumas décadas que os meios de comunicação de massa criam personagens que alimentam o conteúdo de jornais, revistas, programas de TV, de rádio e internet. A indústria de cinema de Hollywood fez surgir estrelas como Greta Garbo, Ingrid Bergman, Audrey Repburn e Marilyn Monroe, que transcenderam seus filmes e ganharam um status glamoroso junto à sociedade. A partir daí, constelações brilharam e se apagaram na velocidade em que as informações se renovam.
Hoje, o ambiente digital e todas as implicações do ciberespaço alteram também a maneira como essas celebridades surgem e desaparecem para a mídia. Se você quer ser famoso no século XXI, não precisa mais de uma super-produtora ou de um agente de sucesso. Você precisa simplesmente de uma câmera, uma conexão de rede e um pouco de imaginação.
Em alguns casos, tudo acontece por um deslize ou uma gafe captada por um cinegrafista amador. Daí é só alguém querer te sacanear e colocar na web, e pronto. Você pode se tornar o que chamam de subcelebridade. Nomes como Guilherme Zaiden, Stefhany, Dona Sônia e Ruth Lemos nasceram assim. Eles são parte da nova geração de celebridades que nasce com o desenvolvimento da internet. Um internauta bem antenado certamente já ouviu falar desses e de outros diversos personagens que se tornaram hits em sites de vídeo como Youtube.
Atualmente, os que fazem fama na internet dependem de uma comunicação viral que vai de blog a blog, de site a site, de internauta a internauta. Exemplo dessa realidade são as chamadas INRIzetes que se tornaram ilustres no universo virtual, a partir de um vídeo em que aparecem celebrando os ensinamentos de INRI Cristo ao ritmo da canção “Umbrella”, da cantora norte-america Rihanna.
Ser seguidora do INRI Cristo, por si só, já é um fato que atrai a curiosidade e atenção de muitos. Agora, duas garotas, chamadas de Asusana e Alíbera, numa vestimenta azul estranhíssima, cantando uma versão mística de “Umbrella”, com rimas esdrúxulas, numa apologia a um ser que garante ser a reencarnação de Cristo, é um prato cheio para a indústria da informação de entretenimento.
Afinal, se o Chacrinha tinha as Chacretes, Sérgio Mallandro, as Malandrinhas e Xuxa, as Paquitas, INRI Cristo tem todo o direito de ter suas INRIzetes, com letras e coreografias próprias. A canção intitulada “Sentido à vida” tornou-se um fenômeno amplamente postado e comentado na blogosfera. E não poderia ser diferente. O ciberespaço, como um universo a parte, tem cultura, regras, modelos de narrativa, modos de interação e celebridades próprias.
Portanto, se você é um fulano qualquer sem talento nenhum e com aspirações a se tornar celebridade, não desanime! Os famosos do espaço virtual não são construídos a partir de um talento pessoal, mas sim, por conta de sua capacidade de despertar uma emoção no internauta, seja ela de deboche, indignação, sarcasmo ou, simplesmente, curiosidade.
Até mesmo, a mídia tradicional, taxada de tio velho pela nova mídia, está bolando estratégias para conseguir manter sua hegemonia. Estar a par do que acontece na blogosfera já se faz mais do que necessário para acompanhar a nova geração online.
De qualquer forma, os 15 minutos de fama, profetizados por Andy Warhol, devem se encurtar para, no máximo, 10 – que é o tempo de vídeo que o Youtube comporta. A parte boa é que qualquer um pode ser a nova celebridade da web. Você, sua mãe, seu avô, seu irmãozinho mais novo, ou até mesmo seu cachorro.
Texto para a matéria de Jornalismo Opinativo da Faculdade Cásper Líbero - 2° bim/2009